1 de outubro de 2014

Asma grave

O que é Asma grave?

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Na asma, brônquios se contraem para impedir que agentes irritantes invadam os pulmões
Asma grave, ou asma grau 4, é a forma mais agressiva da doença inflamatória crônica das vias aéreas. O pulmão do asmático é diferente de um pulmão saudável, como se os brônquios dele fossem mais sensíveis e inflamados - reagindo ao menor sinal de irritação.
Se pensarmos em uma pessoa sem a doença, ela sofrerá uma falta de ar quanto estiver exposta a grandes irritações, como a fumaça de um incêndio. Diante desse quadro, o organismo da pessoa identifica os agentes irritantes e faz com que a musculatura que existe em volta do brônquio se contraia, fechando o órgão e impedindo que o ar contaminado entre nos pulmões. O mesmo processo acontece com um paciente que tem asma, só que os gatilhos para causar uma irritação nos brônquios são bem menos intensos do que a fumaça de um incêndio como, por exemplo, uma simples poeira.
Asma é uma das condições crônicas mais comuns, acometendo cerca de 235 milhões de pessoas no mundo todo, segundo a Organização Mundial de Saúde. Estima-se que, no Brasil, quase 40 milhões de pessoas convivam com a asma.
Segundo a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, cerca de 10 a 15% dos pacientes com asma grave não conseguem controlar a doença com medicamentos convencionais, que são mais eficazes àqueles que apresentam os tipos leve e moderado. No Brasil, os asmáticos graves chegam a procurar 15 vezes mais hospitais do que os outros pacientes, e são hospitalizados 20 vezes mais.
Para classificar a gravidade da asma, o médico considera a análise clínica juntamente com os resultados dos exames. Determinar o quão grave é a asma auxilia o médico a escolher o melhor tratamento. Além disso, a gravidade da asma pode alterar com o passar do tempo, necessitando um reajuste da medicação.

Causas

Não se sabe exatamente o que provoca asma grave, uma vez que cada pessoa apresenta uma sensibilidade a gatilhos diferentes. Dessa forma, é importante entender o que causa os ataques de asma e tentar reduzir a exposição a esses agentes ou buscar tratamentos mais adequados. Aqui estão os gatilhos mais comuns da asma:

Substâncias e agentes alérgenos

Cerca de 80% das pessoas com asma sofrem crises quando expostas a alguma substância transportada pelo ar, como ácaros e poeira, poluição, pólen, mofo, pelos de animais, fumaça de cigarro e partículas de insetos. Substâncias químicas como tinta, desinfetantes e produtos de limpeza também podem desencadear uma crise. Quando aspirados, esses agentes podem irritar os brônquios, levando a uma crise. Infecções virais, como o resfriado comum ou a gripe, também constituem causa importante para o desencadeamento de uma crise de asma.
Alergias alimentares podem causar crises de asma grave. Os alimentos mais comuns associados com sintomas alérgicos são:

  • Ovos
  • Leite de vaca
  • Amendoins
  • Soja
  • Trigo
  • Peixe
  • Camarão e outros crustáceos
  • Saladas e frutas frescas
  • Alguns conservantes e aditivos acrescentados dos alimentos industrializados também podem desencadear uma crise de asma.

Asma induzida por exercício

É um tipo de asma desencadeado por exercício ou esforço físico. Muitas pessoas com asma experimentam algum grau de sintomas ao praticar atividade física. No entanto, existem muitas pessoas sem asma diagnosticada que desenvolvem sintomas apenas durante o exercício. Inclusive, alguns atletas podem apresentar essa manifestação da doença. Com asma induzida por exercício, o estreitamento das vias aéreas tem um pico de cinco a 20 minutos após o exercício começar, o que dificulta a retomada do fôlego. Seu médico pode lhe dizer se você precisa usar um broncodilatador antes do exercício para evitar os sintomas incômodos.

Asma ocupacional

A asma ocupacional é um tipo de asma que resulta de gatilhos no ambiente de trabalho. É muito comum em pessoas que trabalham em usinas ou expostas a agentes químicos, tinturas, agrotóxicos, etc. Com este tipo de asma, você pode ter dificuldade em respirar e sofrer outros sintomas de asma grave apenas nos dias em que você está no trabalho. Muitas pessoas com este tipo de asma sofrem com nariz escorrendo, congestão, irritação nos olhos ou tosse, em vez de o chiado no peito típico da doença. Alguns trabalhos comuns que estão associados com a asma ocupacional incluem criadores de animais e veterinários, agricultores, cabeleireiros, enfermeiros, pintores e marceneiros.
Asma: entenda a doença respiratória que causa dificuldade para respirar

Asma noturna

Asma noturna é um tipo comum da doença. Se você tem asma grave, as chances de sofrer uma crise são muito mais elevadas durante o sono, porque a asma é fortemente influenciada pelo ritmo circadiano (ciclo biológico que regula as funções do nosso corpo, geralmente de acordo com a luz do sol). Acredita-se que a asma noturna acontece devido ao aumento da exposição aos alérgenos, ao resfriamento das vias aéreas, a posição reclinada ou até mesmo pelas secreções hormonais. Se você tem asma grave, observe se seus sintomas pioram quando a noite avança. Caso isso aconteça, procure um médico para descobrir as causas das suas crises de asma e buscar o tratamento mais adequado.

Mudanças de temperatura

O choque de temperaturas é uma mudança bastante agressiva para quem tem as vias respiratórias mais sensíveis. Além das crises de asma, é comum haver piora de rinite ou tosse. A mudança do calor para o frio pode desencadear uma resposta na mucosa brônquica que, por meio de estímulos nos receptores nervosos de temperatura ou pela liberação de substâncias alergênicas, pode desencadear uma crise.

Medicamentos

Medicamentos anti-inflamatórios não hormonais - como o ácido acetilsalicílico, o diclofenaco e o ibuprofeno - podem desencadear crises de asma. Isso acontece porque esses remédios inibem uma via de inflamação, mas sobrecarregam outra, que tem forte relação com a crise asmática em quem sofre da doença.

Condições de saúde que podem imitar asma

Uma variedade de doenças pode causar alguns dos mesmos sintomas da asma. Por exemplo, a asma cardíaca é uma espécie de falha do coração em que os sintomas podem imitar alguns dos presentes na asma regular. Algumas anomalias nas cordas vocais podem provocar um chiado no peito que é muitas vezes confundido com a asma.

Fatores de risco


Histórico familiar

A asma grave é uma doença que tem características genéticas. Pessoas com casos de alergias na família tem uma predisposição genética para desenvolver quadros alérgicos no geral, e o relacionado ao pulmão é a asma.

Histórico de alergias

A asma grave é uma doença caracterizada pela presença de uma reação exagerada das vias aéreas, ou seja, por um mecanismo de defesa aumentado. Esse é o pano de fundo em outras alergias, desde respiratórias até cutâneas. Dessa forma, uma pessoa que tenha algum tipo de alergia tem uma maior predisposição a ter outros tipos, dentre eles a asma, uma vez que seu corpo tende a reagir de forma excessiva aos estímulos externos.

Obesidade

As pessoas com obesidade tem maior risco de asma e asma grave. Isto ocorre porque a obesidade desencadeia uma série de processos inflamatórios - e a asma nada mais é do que um processo inflamatório em nossos brônquios. A obesidade é uma "facilitadora" desse processo.

Baixo peso ao nascer e hábitos da gravidez

Os bebês filhos de mães fumantes tem menor peso, devido aos infartos que o cigarro causa na placenta, dificultando a nutrição do bebê durante a vida intrauterina. Apesar de alguma controvérsia, existe uma relação entre baixo peso ao nascer e asma até os cinco anos de idade. Isso acontece porque o pulmão só se forma plenamente no fim de gravidez. Por isso o bebê prematuro tem mais risco de ter quadros inflamatórios no pulmão. É importante ressaltar que só podemos dizer que uma criança é asmática após os dois anos de vida. Antes disso ela é um bebê chiador.
Outros comportamentos durante a gestação aumentam o risco de o bebê ter alergia, tais como dormir mal, transtorno de ansiedade e depressão.

Refluxo gastroesofágico

A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) é uma condição na qual o conteúdo do estômago vaza em direção contrária para o esôfago. Essa ação pode irritar o esôfago, causando azia e outros sintomas. Se for aspirado, o conteúdo do refluxo gastroesofágico pode ir parar dentro dos pulmões. Isso pode desencadear uma inflamação e favorecer quadros como pneumonias, bronquites e asma.

Sintomas

Sintomas de Asma grave

As pessoas com asma grave apresentam sintomas quase que cronicamente, com alguns episódios mais graves em determinados períodos. Na asma grave, os ataques podem durar dias e podem se tornar perigosos se o fluxo de ar estiver muito restrito.
Os sintomas incluem:

  • Tosse com ou sem produção de escarro (muco)
  • Repuxar a pele entre as costelas durante a respiração (retrações intercostais)
  • Deficiência respiratória que piora com exercício ou atividade.
Respiração ofegante que:

  • Vem em episódios com períodos intercalados sem sintomas
  • Pode ser pior à noite ou no início da manhã
  • Pode desaparecer por si mesma
  • Melhora quando se usa medicamentos que abrem as vias respiratórias (broncodilatadores)
  • Piora quando se inspira ar frio
  • Piora com exercício
  • Piora com azia (refluxo)
  • Em geral começa repentinamente.
Situações de emergência:

  • Lábios e rosto de cor azulada
  • Nível diminuído de agilidade, como sonolência grave ou confusão, durante um ataque de asma
  • Extrema dificuldade de respirar
  • Pulsação rápida
  • Ansiedade grave devido à deficiência respiratória
  • Sudorese.
Outros sintomas que podem ocorrer com essa doença:

  • Padrão de respiração anormal
  • Respiração para temporariamente
  • Dor no peito
  • Aperto no tórax.
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Diagnóstico e Exames

Na consulta médica

Ataques graves de asma podem ser fatais. Ao perceber os sinais e sintomas, converse com o médico, pois o tratamento precoce da asma pode evitar uma lesão pulmonar e ajudar a manter o quadro estável, evitando ataques graves. O médico poderá fazer as seguintes perguntas:

  • O que exatamente são os seus sintomas?
  • Quando você começou a perceber seus sintomas?
  • Quão grave são os seus sintomas?
  • Você tem problemas de respiração na maior parte do tempo ou apenas em determinadas situações?
  • Você tem alergias, como rinite ou dermatite atópica?
  • O que parece piorar os seus sintomas?
  • O que parece melhorar os seus sintomas?
  • Alguém na sua família tem asma ou outras alergias?
  • Você tem problemas crônicos de saúde?
Aqui estão algumas dicas que podem ajudar seu médico a fazer o diagnóstico:

  • Anote quaisquer sintomas que você está tendo, inclusive os que podem parecer sem relação com o motivo pelo qual você agendou o compromisso
  • Anote quando seus sintomas incomodam mais - por exemplo, se os seus sintomas tendem a piorar em determinados momentos do dia, durante determinadas épocas do ano ou quando você está exposto a outros gatilhos
  • Anote informações pessoais importantes, incluindo qualquer estresse ou mudanças de vida recentes
  • Faça uma lista de todos os medicamentos, vitaminas e suplementos que você está tomando
  • Leve um membro da família ou amigo junto, se possível. Às vezes pode ser difícil de recuperar todas as informações fornecidas a você durante uma consulta. O acompanhante pode se lembrar de algo que você perdeu ou esqueceu.

Diagnóstico de Asma grave

O principal para o diagnóstico de asma grave é a história do paciente e os exames. Pacientes que têm crises esporádicas com melhora depois de um tempo são suspeitos para asma, principalmente se tiverem outro tipo de alergia. O médico também poderá pedir alguns exames para avaliar o funcionamento dos pulmões.

Função pulmonar

No teste de função pulmonar, o paciente assopra em um tubo ligado a um computador que vai medir a função dos pulmões. Se o paciente estiver tendo uma crise de asma naquele momento, ele assopra no tubo uma primeira vez, e novamente após usar um broncodilatador. O médico dará instruções sobre como controlar a respiração corretamente. Se a função pulmonar estiver alterada no primeiro resultado e estabilizada no segundo, tem-se um diagnóstico de asma.
Entretanto, muitas vezes o asmático chega ao médico contando uma história típica de asma, mas o exame dá normal, pois ele não está em crise. Nesses casos, o médico pode solicitar a chamada broncoprovocação, ou seja, expõe o paciente a um agente inflamatório em nível controlado e observa. Se ele iniciar uma crise, é muito suspeito para a asma, confirmando após o término do exame.

Espirometria

Esse teste avalia o estreitamento dos brônquios, verificando a quantidade de ar que o paciente pode exalar depois de uma respiração profunda e quão rápido a pessoa pode colocar o ar para fora. O exame de espirometria se encontra dentro do exame de função pulmonar. Caso os pulmões não estejam inspirando todo o ar que deveriam, é um sinal de que os pulmões podem não estar funcionando bem.

Exames adicionais

Outros testes para diagnosticar a asma grave incluem:

  • Teste de óxido nítrico: embora pouco usado, esse teste mede a quantidade do gás óxido nítrico que o paciente tem em sua respiração. Quando as vias aéreas estão inflamadas um sinal de asma você pode ter níveis maiores de óxido nítrico do que pessoas saudáveis
  • Exames de imagem: radiografia de tórax e tomografia computadorizada (TC) dos pulmões e cavidades do nariz podem identificar quaisquer anormalidades estruturais ou doenças que estejam causando ou agravando problemas respiratórios
  • Gasometria arterial: a gasometria arterial mede o pH e os níveis de oxigênio e gás carbônico no sangue de uma artéria. Esse exame é utilizado para verificar se os pulmões são capazes de mover o oxigênio dos alvéolos para o sangue e remover o dióxido de carbono do sangue.

Converse com seu médico

  • É asma a causa mais provável dos meus problemas respiratórios?
  • Quais são as outras causas possíveis para os meus sintomas?
  • Que tipos de testes que eu preciso?
  • É a minha condição provavelmente temporária ou crônica?
  • Qual é o melhor tratamento?
  • Quais são as alternativas para a abordagem primária que você está sugerindo?
  • Eu tenho essas outras condições de saúde. Qual a melhor forma de gerenciá-las juntas?
  • Existem restrições que eu preciso seguir?
  • Existe uma alternativa genérica para o medicamento que você está me prescrevendo?
  • Há algum livro ou outro material impresso que eu posso levar para casa comigo? Quais sites você recomenda visitar?

Tratamento e Cuidados

Tratamento de Asma grave

Prevenção e controle são a chave para impedir que os ataques de asma grave comecem. Veja as linhas de tratamento para a asma:

Asma grave que não responde a medicamentos

Para casos de asma grave não controlada por medicamentos comumente indicados, foi desenvolvido o omalizumabe, que é o primeiro e único tratamento biotecnológico produzido a partir um anticorpo (IgE). É indicado para casos graves de asma em adultos e crianças maiores de seis anos com asma de difícil controle. O omalizumabe diminui a resposta das células inflamatórias do pulmão, fazendo com ele fique menos "estressado". Ele é aplicado em média a cada 15 ou 20 dias, e podem ser muito eficaz para os casos em que as medicações não estão surtindo efeitos significativos. Ele também pode ser associado aos corticoides inalatórios, mas não é uma regra.
No caso da asma grave, o tratamento com omalizumabe deve ser considerado, uma vez que dificilmente os medicamentos padrão para controlar as crises de asma normal serão 100% eficazes. Associando o omalizumabe com um corticoides inalatórios, você garante o tratamento.

Medicamentos contínuos

Os medicamentos da asma mais adequados para o paciente dependem de uma série de fatores, incluindo idade, sintomas, gatilhos de asma e o que parece funcionar melhor para manter a doença sob controle. Os medicamentos preventivos de controle em longo prazo reduzem a inflamação nas vias aéreas, impedindo que os sintomas se iniciem. Os medicamentos contínuos, geralmente tomados diariamente, são a base do tratamento da asma. Eles incluem:
  • Corticosteroides inalados: essa classe de medicamentos inclui fluticasona, budesonida, mometasona, ciclesonida, flunisolide, beclometasona e outros. Pode ser necessário usar esses medicamentos durante vários dias ou semanas antes que eles atinjam o seu máximo benefício. Ao contrário de corticosteroides orais, esses medicamentos têm um risco relativamente baixo de efeitos colaterais e são geralmente seguros para uso contínuo, uma vez que agem diretamente nos pulmões, em vez de passarem primeiro pela corrente sanguínea. As inalações são feitas com inaladores portáteis, por meio de sprays ou em forma de pó – esse último inalado por meio de um instrumento próprio. O tempo de ação pode ser de quatro, 12 ou 24 horas, e o espaço entre as inalações varia conforme esse intervalo. Mais de 95% dos casos de asma podem ser controlados com o uso de corticoides
  • Modificadores de leucotrienos: são medicamentos orais, incluindo o montelucaste, zafirlucast e zileuton. Eles podem ser encontrados em forma de comprimidos, xaropes ou sachês. Eles interferem no processo inflamatório dos pulmões, e raramente são usados de forma isolada, sendo associado ao uso de corticoides. As doses e intervalos de utilização variam conforme o caso e a associação de medicamentos que está sendo feita
  • Beta-agonistas de longa duração: são medicamentos inaláveis, e incluem salmeterol e formoterol. Sua função é abrir as vias aéreas – ou seja, é um broncodilatador. Normalmente são usados em associação com corticosteroides – chamados assim de inaladores de combinação. Esses medicamentos não devem ser usados durante um ataque de asma
  • Teofilina: a teofilina funciona principalmente como broncodilatador, mas possui efeito anti-inflamatório, sendo também associada aos corticoides. O medicamento deve ser ministrado a cada 12 horas, e as doses também variam conforme o paciente.

Broncodilatadores

Se o paciente usa o broncodilatador várias vezes ao dia, é um sinal de que a sua asma é grave, ou está descontrolada e precisa de outras medicações. O maior risco de uma pessoa ter várias crises e usa apenas o broncodilatador é mascarar uma crise de asma grave. Isso pode fazer com que a pessoa subestime a intensidade do quadro, ignorando sua gravidade e vindo a sofrer consequências alarmantes, como uma asfixia, pois o broncodilatador somente pode não dar conta da crise. Pessoas que usam ou usaram o broncodilatador mais do que três ou quatro vezes em um único dia devem procurar um pronto socorro ou ligar para seu médico, a fim de buscar formas de tratamento da doença como um todo, não apenas da crise.
É importante ressaltar que os broncodilatadores servem para aliviar uma crise de asma, mas não tratam a doença. Durante uma crise de asma, acontece o fechamento dos brônquios, impedindo a entrada de ar nos pulmões. Os broncodilatadores servem justamente para relaxar essa musculatura dos brônquios, permitindo que o ar entre nos pulmões novamente. Essas medicações tem início de ação rápido, gerando um alívio imediato do paciente. Há broncodilatadores de curta duração (de quatro a seis horas de ação) e de longa duração (de 12 a 24 horas de ação), mas nenhum desses é um tratamento preventivo, devendo ser associado aos medicamentos.
Os broncodilatadores são usados conforme necessário para alívio rápido dos sintomas durante um ataque de asma. Se você tem asma associada ao exercício, pode ser que o médico indique usar o broncodilatador logo antes de uma série. Os broncodilatadores são ministrados com um inalador portátil ou um nebulizador, para que possam ser inalados por meio de uma máscara ou um bocal.

Outros medicamentos

Os corticosteroides também podem ser ministrados em versão injetável, sendo que a frequência será menor - por ser indicado para casos mais graves ou conforme a indicação médica. Se a asma é desencadeada ou agravada por agentes alérgenos, alguns medicamentos para alergias (anti-histamínicos) podem ser indicados, geralmente ministrados por spray oral e nasal.
Há também a termoplastia brônquica, usada para asma severa que não melhora com corticosteroides inalados ou outros medicamentos para asma. A termoplastia brônquica aquece o interior das vias aéreas nos pulmões com ajuda de um eletrodo, reduzindo o músculo liso no interior das vias aéreas. Isso limita a capacidade das vias aéreas de se contrair, tornando a respiração mais fácil e possivelmente reduzindo os ataques de asma.

Convivendo (prognóstico)

Convivendo/ Prognóstico

Os objetivos prioritários do tratamento da asma grave são controlar os sintomas e evitar internações. Por isso, a disciplina do paciente é fundamental ao seguir o tratamento diário, o que ajudará a prevenir complicações futuras. Tratar uma asma grave é completamente diferente de tratar uma crise grave de asma. O não controle da doença levará o paciente a inúmeras internações, menos qualidade de vida e sintomas ainda mais severos.

Diminua o ritmo

O paciente deve fazer pausas entre as tarefas e evitar atividades que pioram os sintomas. Uma lista diária de tarefas pode ajudar a evitar o sobrecarregamento.

Busque apoio

Fóruns e grupos podem ser usados para trocar experiências sobre a asma grave, além de ajudá-lo a se conectar com pessoas que enfrentam desafios semelhantes. Se seu filho tem asma, tente concentrar a atenção nas coisas que seu filho pode fazer, e não sobre as coisas que ele ou ela não podem fazer. Envolver professores, enfermeiras escolares, treinadores, amigos e parentes podem ajudar seu filho a controlar a asma. Tomar medidas para reduzir a exposição a fatores que pioram sintomas de asma grave é uma parte fundamental do controle. Manter a casa sempre limpa, evitar o acúmulo de poeira e deixar algumas atividades de lado podem ajudar a prevenir uma crise.

Faça exercícios

Ter asma grave não significa que o paciente não pode se manter ativo – mas o acompanhamento deve ser redobrado. Inclusive, a atividade pode prevenir ataques de asma e fortalecer coração e pulmões. Além disso, os exercícios ajudam no controle do peso, que podem piorar um ataque de asma.

Controle as doenças relacionadas

Alergias e a doença do refluxo gastroesofágico podem provocar ataques de asma. Se esse for o caso, é importante tratar esses problemas antes de tratar a asma.

Exercícios respiratórios

Algumas posições podem ajudar no alívio das crises respiratórias de asma grave:
  • Na posição sentada, com os cotovelos apoiados nas pernas, assumir uma posição relaxada, com a inclinação do tronco para frente
  • Em pé, inclinar o tronco para frente e apoiar o peso sobre suas mãos para alívio do cansaço
  • Sentada e com a inclinação do tronco para a frente, apoiar-se sobre um travesseiro para relaxar e aliviar o cansaço.

Atitudes que devem ser evitadas pelo paciente asma grave

O acesso a informações e remédios nem sempre se traduzem no tratamento correto da asma grave. Muitas pessoas desconsideram os perigos dessa doença por achá-la comum e mantém atitudes arriscadas, como:
  • Tratar apenas as crises: se as crises são recorrentes, este é um sinal importante de não controle da doença, com risco de hospitalizações e eventos mais graves
  • Fazer o tratamento apenas no pronto-socorro: recorrer ao pronto-socorro para tratar as crises da doença, passando por diferentes plantonistas, sem ter o acompanhamento de um único médico dificulta o tratamento adequado
  • Não dar continuidade correta ao tratamento: no caso de asma em crianças, estima-se que menos da metade das prescrições sejam seguidas de forma adequada pelos pais, expondo os pacientes a crises agudas de asma e sintomas persistentes
  • Dar atenção à asma somente no inverno: há dicas para lidar melhor com a doença durante o período seco do inverno, mas deve-se controlar a asma o ano todo.

Expectativas

Não há cura para asma grave, embora os sintomas às vezes melhorem ao longo do tempo. Com autogerenciamento e tratamento apropriados, a maioria das pessoas com asma pode levar uma vida normal.

Complicações possíveis

As complicações da asma grave incluem:

  • Capacidade reduzida de se exercitar e tomar parte em outras atividades
  • Falta de sono devido a sintomas noturnos
  • Alterações permanentes no funcionamento dos pulmões
  • Tosse persistente
  • Dificuldade para respirar que requer ajuda na respiração (ventilação)
  • Hospitalização e internação por ataques severos de asma
  • Efeitos colaterais de medicações usadas para controlar a asma
  • Óbito.
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Prevenção

Prevenção

A asma em si não pode ser prevenida, uma vez que é decorrente de uma inflamação dos brônquios sem causa aparente. Entretanto, é possível controlar as crises e ter uma qualidade de vida melhor:

Teste para alergias

Os testes para alergias respiratórias são feitos para detectar qual é o agente causador da asma. Entram nessa lista ácaros, fungos, mofo, pelos de animais, entre outros. Com o teste, é possível evitar a exposição ao agente, prevenindo crises. Além disso, é comum que a asma esteja associada a outras doenças alérgicas, como a rinite alérgica e o eczema. Controlando os causadores dessas alergias é possível evitar crises asmáticas.

Não trate apenas a crise

É muito importante lembrar que a asma é uma doença crônica cujo tratamento, nos casos de asma persistente, deve ser contínuo, mesmo que não existam sintomas. Esse tratamento consiste no uso de corticoide inalatório diariamente, em doses que deverão ser determinadas pelo médico. O uso irregular dos medicamentos que controlam a asma é uma das causas mais comuns de crises. O paciente não deve ter receio de usar a medicação diária da asma.

Garanta as doses de vitamina D

A carência da vitamina D está sendo relacionada a uma série de doenças do aparelho imunológico e a asma é uma delas. O papel da vitamina D na importância do tratamento da asma é recente. Estudos apontam que a deficiência do nutriente pode aumentar os riscos de doenças pulmonares mais graves em crianças. De qualquer forma, vale a pena ressaltar que a principal fonte de vitamina D é a exposição solar, que dever ser feita por cerca de 15 minutos, três vezes por semana.

Aposte na higiene

Mofo, pelos de animais, insetos, ácaros e poeira domiciliar devem ser cuidadosamente eliminados. É importantíssimo que a roupa de cama seja lavada semanalmente e secada ao sol. Também é recomendado o uso de fronhas e capas de colchão antiácaros, que diminuem a possibilidade de crises. Podem ser usados até produtos de limpeza que matam os ácaros, mas nunca na presença do asmático. O carpete deve ser substituído por outros tipos de piso, tapetes devem ser retirados do quarto e umidificadores devem ser banidos, já que a umidade favorece o aparecimento de alguns alérgenos.

Evite cheiros fortes

Velas, sprays aromatizadores e essências. Esses produtos podem até deixar sua casa perfumada, mas são um perigo para quem tem asma. Cheiros fortes e fumaça irritam as vias aéreas e podem desencadear crises de asma. Se você é ou tem algum familiar asmático, elimine todos esses produtos ou, pelo menos, opte por versões que não possuem cheiro.

Invista na vacina da gripe

Os vírus causadores de infecções respiratórias - entre os quais está o vírus da gripe - também inflamam as vias aéreas e podem causar crises de asma. Por isso, tomar a vacina da gripe pode ajudar a controlar a doença. Além disso, lavar as mãos ou higienizá-las com álcool em gel ajuda a prevenir-se contra o vírus.

Entre em forma

Existem algumas evidências de pessoas asmáticas com obesidade que conseguiram controlar melhor a asma ao perder peso. Uma teoria é a de que os pulmões de indivíduos com obesidade não se expandem como deveriam, o que predispõe o estreitamento dos brônquios. A inflamação do tecido adiposo causada pela obesidade também pode afetar a musculatura das vias aéreas, aumentando a resposta inflamatória e estreitando os canais da via aérea, o que levará a uma crise asmática. Outro ponto é que os hormônios liberados pela gordura - como a leptina e a adiponectina - podem agir na árvore brônquica causando os mesmos efeitos. Uma pessoa com asma pode e deve praticar esportes, mas, para isso, a doença precisa estar controlada com o tratamento. Isso porque a desidratação das vias aéreas, em função da sudorese e do aumento constante do fluxo de ar, pode desencadear uma crise se a doença não estiver controlada. Outro mecanismo que pode levar a uma crise é o da variação de temperatura nas vias aéreas, principalmente se o ar é inspirado pela boca e atinge as vias aéreas a uma temperatura mais baixa - o que pode piorar se temperatura ambiente está mais baixa.
Por outro lado, manter uma boa hidratação e exercitar-se em ambiente saudável e com temperatura adequada ajuda a tornar a prática esportiva menos perigosa. Se mesmo assim ainda ocorrerem crises de asma, um tratamento com broncodilatadores antecedendo a atividade física e indicado pelo médico tende a controlar bem os sintomas.

Cuide do pet

Se o contato com animais não faz bem ao paciente, seria aconselhável não tê-los em casa. Mas, se isso está fora de cogitação, pelo menos não deixe que ele entre ou durma no seu quarto. Outra medida importante é dar banho no animal pelo menos uma vez a cada duas semanas. O local em que o pet permanece a maior parte do tempo deve ser limpo toda semana.

Agasalhe-se

É normal que, ao passar de um ambiente fechado para um externo, com ar frio, o alérgico logo apresente reações do sistema respiratório, como espirros e inchaço nasal. Por isso, o ideal é sempre sair de casa bem agasalhado e com um cachecol ou lenço cobrindo o nariz para que o ar gelado não entre em contato direto com ele.

Apague o cigarro

Cigarro é prejudicial para todas as pessoas, mas para o asmático ele pode ser ainda mais nocivo. No caso das crianças, o fumo passivo também é prejudicial. O fumo favorece a evolução de alergias respiratórias e asma. A peculiaridade do inverno em relação ao seu uso é o fato de a estação tornar ainda mais evidente essa piora, uma vez que a estação costuma ser caracterizada pelo ar seco e pela poluição concentrada. Fumantes que são alérgicos têm grandes chances de se tornarem futuros portadores da asma, e a permanência do hábito fará com que as crises fiquem cada vez mais fortes e mais difíceis de serem tratadas.

Fontes e referências

  • Fábio Morato Castro, alergista e Presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia – CRM 42267
  • Clóvis Galvão, alergista e Presidente da Associação Brasileira dos Asmáticos - CRM 75503
  • Roberto Rodrigues Junior, pneumologista do Laboratório Exame, em Brasília - CRM 133172
  • Marcia Pizzichini, pneumologista da comissão de asma da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia - CRM 3025
  • Élcio Vianna, pneumologista da Comissão de Asma da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia - CRM 57520
  • Rogério de Souza, pneumologista assessor da área de Pneumologia do Fleury Medicina e Saúde - CRM 82330
  • Ministério da Saúde
  • Organização Mundial de Saúde
  • Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia

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