3 de novembro de 2015

Se inquérito desse processo no Conselho de Ética, deveria ter 150 lá, diz Cunha.

Por Felipe Amorim
Do UOL, em Brasília

Na mesma tarde em que foi aberto um processo contra ele por quebra de decoro parlamentar, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou que, se todo inquérito judicial contra deputados fosse motivo de representação ao Conselho de Ética, "deveria ter uns 150 [investigados] no conselho".

Cunha comentou a representação contra ele em entrevista a jornalistas nesta terça-feira (3), e fez a afirmação ao ser questionado sobre se a defesa que ele vai apresentar será a mesma no processo no Conselho de Ética e na denúncia criminal no STF (Supremo Tribunal Federal).

O parlamentar foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República por suspeitas de ter recebido propina do esquema de corrupção na Petrobras, o que ele nega. A denúncia ao STF é um dos elementos usados na representação contra ele ao conselho.

"É diferente [o processo], porque se todo mundo que tivesse um processo fosse pro Conselho de Ética por quebra de decoro, tinha que ter uns 150 lá no Conselho de Ética. Porque tem mais ou menos uns 150 [parlamentares] que respondem a inquérito no Supremo", disse o deputado.

"Até porque o processo no Supremo tem como consequência a condenação, a perda de mandato. Então não precisaria de processo no Conselho de Ética", afirmou Cunha.

O presidente da Câmara disse ainda que deve se reunir com seu advogado entre esta terça e quarta-feira para definir como será sua defesa no conselho. Ele afirmou, porém, que vai provar que não mentiu à CPI da Petrobras quando disse, em reunião da comissão, não possuir contas em outro país.

A descoberta de contas na Suíça atribuídas a Cunha é outro elemento que pesa contra o deputado.

"Pelo que ouvi falar, está se questionando a quebra de decoro por que eu teria faltado com a verdade. O que não ocorreu. Então, eu vou provar que não faltei com a verdade", afirmou Cunha.

O deputado, que tem reafirmado que não pretende renunciar ao cargo por causa das denúncias, disse não ver problema em permanecer na Presidência da Câmara enquanto responde a processo no Conselho de Ética. "Problema nenhum", disse.

O PSOL entregou em outubro de 2015 ao Conselho de Ética da Câmara dos Deputados representação contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), na qual pede a cassação do mandato do peemedebista por quebra de decoro parlamentar. Denunciado ao STF (Supremo Tribunal Federal) por suspeita de ter recebido US$ 5 milhões em propina do esquema investigado pela operação Lava Jato, Cunha teve seu nome ligado a contas secretas na Suíça. Ele nega ter contas no exterior.   
 Antonio Cruz/Agência Brasil

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