31 de maio de 2017

Em Portugal, Moro fala de “anseio da sociedade brasileira por um país mais limpo”

“Não há nenhuma vergonha… embora se tenha essa visão negativa da imagem do país, nesses casos de corrupção que estão sendo descobertos no Brasil. Eu peço que vejam estes casos de uma outra perspectiva: é o Brasil, um país, e não somente uma ação feita de juízes e procuradores; mas um anseio da sociedade brasileira para termos um país mais limpo” declarou o juiz Sergio Moro na sua intervenção, nesta terça-feira (30), no painel “Qual o papel e os limites do sistema judicial na luta contra o crime?”, nas Conferências do Estoril, em Portugal.
Adriana Niemeyer, correspondente da RFI em Portugal

© Fournis par RFI
Moro afirmou acreditar que, apesar de todas turbulências, o Brasil vai ser um país melhor com uma economia mais forte e uma democracia de melhor qualidade, “no qual a corrupção sistêmica passará a ser apenas uma triste memória”. Explicou que “isso não é algo garantido. É um trabalho em andamento. Mas é possível ter esperanças não somente no Brasil mas também na região, que é identificada pelos altos níveis de corrupção”.
Aplaudido de pé por grande parte dos participantes ao chegar na conferência, o juiz Sérgio Moro foi o mais ovacionado, apesar de o painel apresentar outros famosos juízes que participaram, ou participam, de grandes operações contra a corrupção, como o espanhol Baltazar Garzon (responsável pela prisão de Pinochet em Londres), o juiz italiano António Di Pietro, que comandou a operação “Mãos Limpas”, e o português Carlos Alexandre, que ainda tenta comprovar a culpa do ex-premiê José Sócrates na chamada “Operação Marquês”.
"Melhor alguém do que ninguém condenado"
Quando Moro disse que “é uma ilusão pensar que o processo judicial sozinho seja suficiente para enfrentar a corrupção sistemática”, todos os juízes, de certa maneira, se sentiram desamparados e atacados pelos sistemas políticos de seus países; e demonstraram preocupação “pelo o que está acontecendo no sistema judicial das novas democracias”.
Quanto à delação premiada, tema em que nem todos os participantes estavam de acordo, Moro quis deixar claro que no Brasil “é melhor alguém condenado do que ninguém condenado; e que este método ajudou em muito expandir as investigações”.
O juiz Moro não quis falar com a imprensa brasileira após a conferência como tinha indicado da porta do Hotel Palácio, onde está hospedado. Segundo a organização da conferência, Moro, que veio acompanhado da mulher, pagou pelas suas próprias despesas.

 

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