22 de maio de 2017

Hayden não resiste aos ferimentos e morre na Itália aos 35 anos após ser atropelado quando andava de bicicleta

© Fornecido por Grande Prêmio
Nicky Hayden, campeão da MotoGP na temporada 2006, não resistiu aos sérios ferimentos sofridos na última quarta-feira (17). Atropelado por um carro enquanto andava de bicicleta na cidade italiana de Riccione, o norte-americano morreu nesta segunda-feira (22). Hayden tinha 35 anos de idade. A notícia foi confirmada em boletim oficial do Hospital Maurizio Bufalini, onde o piloto estava internado há quase uma semana.
 
O quadro de saúde de Hayden gerou preocupação desde o princípio. Tão logo Hayden chegou ao centro médico de Riccione, ficou claro que a situação era grave: Nicky foi diagnosticado com traumas severos na cabeça e no tórax. Assim, ficou decidido que o americano, inconsciente, precisava ser transferido para o hospital Bufalini, na cidade vizinha de Cesena. A condição clínica do #69 impediu os médicos de realizarem uma cirurgia. O piloto tinha um “sério politrauma com subsequente dano cerebral grave”.

“O corpo médico atestou a morte do paciente Nicholas Patrick Hayden, internado na quarta-feira, 17 de maio, em uma unidade de cuidados intensivos do Hospital Bufalini, de Cesena, em consequência das graves lesões múltiplas ocorridas naquela data”, diz a nota oficial do hospital.

Nesta segunda-feira, em uma entrevista ao jornal ‘Gazzetta dello Sport’, Kevin Schwantz, campeão das 500cc em 1993, contou que encontrou com Hayden horas antes do atropelamento nas cercanias de Rimini e chegou a recusar um convite do ‘Kentucky Kid’ para pedalar.

No fim da semana passado, o pai de Nicky, Earl, conversou com um site norte-americano e negou uma série de boatos, inclusive da morte do piloto. O patriarca da família do Kentucky, que não pôde ir à Itália por conta de um problema de saúde, afirmou ainda no domingo que o #69 “precisava de um milagre”.

Internado desde quarta-feira, Nicky estava acompanhado da mãe, Rose, do irmão Tommy, e da noiva, Jackie Marin, além de integrantes da Honda. O piloto de 35 anos deixa o pai, Earl, e mais dois irmãos, Kathleen e Roger Lee.
Em novembro de 2015, antes de fazer sua então última corrida da MotoGP, Hayden foi homenageado pela Dorna, a promotora do Mundial de Motovelocidade, e entrou para o rol das Lendas da MotoGP. Depois daquele fim de semana em Valência, o norte-americano voltou à classe rainha outras duas vezes: uma pela Marc VDS e outra pela Honda, substituindo os lesionados Jack Miller e Dani Pedrosa, respectivamente.

O primeiro boletim médico foi divulgado pelo Maurizio Bufalini horas depois do acidente, ainda na noite de quarta-feira, e dava conta de que o estado de saúde de Hayden era crítico e não havia melhorado com relação aos primeiros momentos após o acidente. Hayden teve uma parada cardíaca na UTI e precisou ser reanimado. Estava fraco demais, porém, para ser submetido a uma cirurgia. 
 
Mais algumas horas depois, na manhã da quinta-feira, o hospital divulgou que a situação não havia melhorado e Nicky ainda estava "extremamente fraco". Em seguida, a Honda divulgou seu primeiro comunicado e disse que a marca tinha representantes junto a Hayden no hospital, mas sem tocar no estado de saúde do piloto. Algumas horas depois, admitiu que a situação era gravíssima e anunciou a chegada da família de Hayden a Cesena - a noiva, Jackie Marin, a mãe, Rose, e irmão, Tommy. Hayden tinha um sério politrauma e dano cerebral grave.
 
© Fornecido por Grande Prêmio
A mudança positiva tão esperada pelos fãs, não chegava. Enquanto recebia elogios e mensagens de incentivo de outros rostos do esporte a motor, como Valentino Rossi - grande rival do ano do título mundial -, Hayden seguia em situação difícil. O Hospital Maurizio Bufalini iniciou a sexta-feira relatando uma noite "sem mudanças" e a manutenção da situação "extremamente grave"
 
No começo do sábado, a imprensa italiana passou a tratar de que Nicky havia sido colocado em coma induzido, algo que o pai do piloto, Earl Hayden - que não foi à Itália por conta de um tratamento de saúde -, tratou de negar prontamente. Earl voltaria a falar nesta segunda-feira pela manhã, quando pedia um milagre. A mudança sobre o estado de saúde não chegou também naquele sábado.
 
O último boletim médico foi divulgado no domingo. Novamente, o Hospital Maurizio Bufalini relatou que não havia mudança no quadro crítico de Hayden. 
 
No começo da tarde desta segunda, as esperanças cessaram. Hayden não resistiu.

Nicky Hayden nasceu na cidade de Owensboro, no Kentucky, em 30 de julho e tem 35 anos. É o último piloto norte-americano campeão mundial da MotoGP De trajetória diferente da maioria dos competidores do Mundial de Motovelocidade, o piloto ganhou notoriedade com grandes performances no Campeonato Americano de Superbike, categoria na qual se consagrou campeão em 2002. Antes disso, já havia vencido a AMA Supersport 600 com a Honda em 1999.

Nicky ainda faria uma participação em 2002 na rodada de Laguna Seca do Mundial de Superbike. E o desempenho chamou atenção, tanto que, na temporada seguinte, Hayden já estava na MotoGP, defendendo a equipe de fábrica da Honda. 
 
Com os japoneses, o piloto foi quinto colocado em seu ano de estreia em 2003. A carreira do americano. então, evoluiu ao longo dos anos: em 2005, veio a primeira vitória na MotoGP e logo em casa: com direito a pole em Laguna Seca, Hayden subiu ao topo do pódio pela primeira vez em 10 de julho. Além da vitória na Califórnia, o piloto faturou ainda outros cinco pódios e duas poles para terminar em terceiro lugar. Mas o grande ano veio em 2006. Ainda andando com a marca nipônica, Hayden se tornou campeão mundial, vencendo Valentino Rossi, por apenas cinco pontos.

Foram dois triunfos de Hayden naquele ano, contra cinco de Rossi. No entanto, a consistência do americano da Honda e a regularidade foram decisivos para que ele conquistasse sua maior glória na carreira.
 
Nicky ficou mais duas temporadas na esquadra japonesa antes de, em 2009, assinar contrato com a Ducati. Pela equipe italiana, o norte-americano disputou cinco campeonatos, tendo o italiano multicampeão do Mundial como companheiro em duas temporadas. Sem sucesso com a difícil moto de Borgo Panigale, Hayden ainda correr na pequena Aspar entre 2014 e 2015. Sua última aparição na MotoGP aconteceu no passado, quando defendeu a Marc VDS na Espanha e a Honda na etapa de Austrália, onde foi chamado para substituir o lesionado Dani Pedrosa.
 
Atualmente, Hayden corria pela equipe de fábrica da Honda no Mundial de Superbike. No último fim de semana, o piloto disputou a rodada de Ímola. Nicky não terminou a primeira corrida, mas completou a segunda em 12º.

O Mundial de Superbike volta às pistas já neste fim de semana, com a etapa de Donington Park. A Honda, equipe defendida por Hayden, não confirmou se estará na pista inglesa.
 

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